Rolhas figurativas: arte no vinho


 

 

 

Coleções do objeto trazem surpresas e tradições

 

 

 

Por: Equipe WS

*última atualização: 23.11.09

 

 

As latinhas de alumínio e as garrafas de plástico com design inovador não roubaram o espaço dos bons e velhos recipientes para vinhos, com seu vidro esverdeado e sua rolha de cortiça. Já que o sumo da uva é pura tradição, há quem resgate objetos antigos que faziam parte do seu universo de degustação: um deles é a arte da rolha decorativa, que surgiu nos anos 20 e durou, em escala comercial, até a década de 50. Hoje, os colecionadores desses divertidos acessórios buscam o charme dos brindes das décadas passadas.

 

Criação europeia

Utilitários e decorativos, esses objetos são representações típicas das culturas artesanais de países do norte da Europa: Alemanha, Suíça, Grã-Bretanha e Áustria são as origens dos melhores exemplares, mas, nos anos 40, indústrias brasileiras de porcelana também investiram nas suas versões e incluíram modelos com figuras tipicamente nacionais, como o gaúcho.

 

Superior aos regionalismos, o estilo que mais fez sucesso foi o humorístico. Ele originou rolhas que retratavam as feições dos bêbados, com seus chapéus amassados, olhos quase fechados e sorriso ébrio. Além das surpresas que cada rosto traz, há a expectativa do buraco por onde o vinho pode sair: para servir a bebida com humor, nem é preciso tirar a rolha e, dependendo do modelo, o líquido escorre pela boca, pela cabeça ou pelo nariz da cabeça.

 

Raridades cobiçadas

Os exemplares são feitos em cerâmica ou porcelana, mas há os mais raros, confeccionados com papier machê e outros que representam figuras históricas, como o estadista britânico Sir Winston Churchill (1874-1965), ou tipos étnicos africanos e orientais, e aquelas que trazem trabalhadores, como policiais e cozinheiras. Tanto as peças comuns quanto estas mais raras estão à venda hoje em antiquários, brechós, feiras de antiguidades e sites de leilões, como o eBay.

 

Ao comprar um modelo, é preciso prestar atenção à sua manutenção. A cortiça permite que o oxigênio entre na garrafa lentamente, o que proporciona a maturação perfeita do vinho, porém, esse material exige armazenamento mais cuidadoso; a umidade, por exemplo, pode atrair fungos à rolha.

 

A saga das rolhas

Mesmo as rolhas que não trazem arte em suas superfícies não devem ser subestimadas. A importância delas afeta diretamente a qualidade do vinho e suas características as tornaram praticamente insubstituíveis: porosidade, leveza, elasticidade, impermeabilidade e isolamento mantêm a bebida em perfeitas condições.

 

Nem sempre foi assim: inicialmente eram empregados outros materiais como estopa, pano, crina de cavalos, pergaminho, e finalmente chegou-se a utilização da rolha de cortiça, hoje uma entidade do mundo dos vinhos.

 

 

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